Dosimetria de prazeres

Cláudia de Marchi No Direito usamos o termo dosimetria para definir o ato do juiz ao estabelecer a pena do acusado levando em consideração, num primeiro momento, as circunstâncias judiciais subjetivas, como a culpabilidade, os antecedentes, a conduta do agente, a sua personalidade e motivos da conduta delituosa. As circunstâncias objetivas, por sua vez, consideram as consequências do ato e o comportamento da vítima. Após, … Continuar lendo Dosimetria de prazeres

O fim.

Cláudia de Marchi Fracassei desde o meu primeiro ano como cortesã, pois nunca consegui pensar só no dinheiro e tratar o sexo como ofício no qual, estando com um homem, gostando ou não, eu deveria seguir. Dei foras em homens que não sabiam fazer sexo oral, cancelei continuidade de encontros por beijo ruim, enfim, fui uma acompanhante extremamente seletiva e misândrica. Em algo que tu … Continuar lendo O fim.

A mão prejudicada e outros prejuízos: um pouco sobre a minha exaustão

Cláudia de Marchi A minha interessante vida é marcada por profundas mudanças não planejadas. Cheguei até aqui com muitas vivências para poucas décadas de vida. Os meus pais resolveram se divorciar pouco tempo depois de eu me formar, como não tiveram outros filhos enfrentei o processo de luto da minha mãe sozinha. Em virtude de ela ter deixado de trabalhar quando casou o fato de … Continuar lendo A mão prejudicada e outros prejuízos: um pouco sobre a minha exaustão

O cansaço feminino

Cláudia de Marchi O machismo cansa. Explicar para homens porque determinadas atitudes e falas são machistas, cansa. E falo aqui em explicar para homens em fase de desconstrução, homens que pretendem abdicar do machismo estrutural, pois com machista orgulhoso a gente não deve desperdiçar saliva. Não vale a pena, é desgaste inócuo. Encarar o didatismo de homens sobre assuntos que conhecemos é muito desagradável. O … Continuar lendo O cansaço feminino

Os trastes velhos e a inutilidade da beleza não monetizada

Cláudia de Marchi No inverno passado, viajei para Brasília, adoentada com a primeira ferida de herpes labial que tive na vida, estressada pela viagem, pela escrita de um artigo que me exauriu e, claro, pelo cenário catastrófico que a incompetência política e ambiental causou em Porto Alegre. Fui para fechar um contrato de ghostwritter. Tudo correu bem, sem assédio ou nada assemelhado. Até eu voltar … Continuar lendo Os trastes velhos e a inutilidade da beleza não monetizada

As prostitutas e o feminismo excludente e hipócrita

Eu sou a prova viva do poder da desconstrução de conceitos na vida de uma mulher. Vivi o suficiente para saber que as diferenças entre mulheres e homens não são meramente hormonais, elas provêm da criação, da educação, daquilo que, há milênios, vêm sendo incrustrado em nossas mentes e que, portanto, nos escraviza: o machismo. Ele atrofia os homens emocionalmente e castra a liberdade das … Continuar lendo As prostitutas e o feminismo excludente e hipócrita

É preciso saber desistir!

Cláudia de Marchi Eu sou uma cronista autobiográfica em praticamente tudo o que escrevo, pois não conheço tão bem — tampouco desejo — outra vida além da minha que, por sua vez, é muitíssimo interessante. Neste sentido, em poucas palavras vou atentar contra o raciocínio brega e perigoso segundo o qual a pessoa cansada de recomeçar deve parar de desistir. Pensamento medíocre, crença altamente adoecedora. … Continuar lendo É preciso saber desistir!

Sobre indulgência, abnegação e Balneário Camboriú

Cláudia de Marchi As minhas tias veraneiam em Balneário Camboriú há mais de três décadas. Eu detesto aquela cidade, primeiro, porque não gosto de praias lotadas, segundo, porque a água é imprópria para banho e os prédios fazem sombra na praia, terceiro, porque é lugar para quem aprecia festas e eu abomino, aliás, conto nos dedos as noites em que sai de casa para baladas … Continuar lendo Sobre indulgência, abnegação e Balneário Camboriú

Carne, ossos e liberdade

Cláudia de Marchi Se você veio da costela do sujeito criado a partir do barro, eu não vim. Eu sou poeira das estrelas! E não quero acreditar, quero saber. Ademais, antes ser poeira das estrelas do que “resto” de costela de homem. Se você defende entidades que nunca viu, imerge em orações, mas sorri, gargalha e goza pouco na vida, eu lhe desdenho com minha … Continuar lendo Carne, ossos e liberdade