Projeto Decola Hip Hop RS destina R$ 2,4 milhões para fortalecer a indústria criativa no estado

Foto: Mateus Stif / Divulgação

Iniciativa vai selecionar 119 coletivos culturais e movimentar a economia cultural

O hip hop como ferramenta de transformação social e econômica. Esse é o propósito do Decola Hip Hop RS, programa lançado nesta quinta-feira (27) no Museu da Cultura Hip Hop do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. A iniciativa, realizada pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) em parceria com a Sociedade União Vila dos Eucaliptos (SUVE), vai destinar R$ 2,4 milhões para fomentar a cultura e a economia criativa no estado.

A rapper e produtora cultural Negra Jaque, idealizadora do projeto, destaca que a proposta surge em um momento de reconstrução, especialmente após as enchentes que atingiram o estado em maio de 2024. Muitos espaços culturais foram impactados, prejudicando o trabalho de artistas periféricos.

“O hip hop tem sido a vanguarda dessa reconstrução. Vamos fortalecer os coletivos e projetos, gerando trabalho e renda e movimentando diretamente a contratação de 500 pessoas, fomentando a economia e impactando a periferia”, afirma Negra Jaque.

Como funciona o Decola Hip Hop RS?

O programa vai selecionar 119 coletivos de base comunitária na primeira fase, priorizando grupos com pelo menos dois anos de atuação e que tenham o hip hop como um de seus eixos principais. Além disso, a iniciativa prevê a inauguração de um estúdio de podcast, ampliando a cadeia produtiva da cultura no estado.

Os coletivos selecionados deverão desenvolver produções audiovisuais, grafites, mostras culturais, apresentações e oficinas, além de revitalizar espaços culturais periféricos. A Feira de Hip Hop, um dos eventos mais importantes do movimento no RS, também será retomada como parte do programa.

Inscrições e critérios de seleção

As inscrições para o Decola Hip Hop RS vão de 27 de fevereiro a 27 de março de 2025. Após essa etapa, os projetos serão avaliados com base nos seguintes critérios:

  • Trajetória cultural e tempo de atuação;
  • Abrangência e impacto das atividades realizadas na comunidade;
  • Perspectiva de continuidade e relevância das ações;
  • Reconhecimento por outros coletivos do mesmo eixo cultural.

Além disso, haverá um bônus na pontuação para candidaturas de mulheres, pessoas pretas, indígenas, LGBTQIAPN+, pessoas atípicas e pessoas com deficiência.

Distribuição das vagas

O programa contemplará diferentes áreas dentro do hip hop:

  • 19 coletivos de audiovisual e mídias;
  • 10 coletivos de grafite;
  • 10 coletivos de moda (vestuário, calçados e acessórios);
  • 10 coletivos de estúdios e selos independentes;
  • 50 coletivos para workshops e eventos dos 5 elementos do hip hop (MCs, DJs, graffiti, breaking e conhecimento);
  • 10 coletivos de DJs;
  • 10 coletivos de Breaking.
Conheça o museu da cultura hip hop. https://museuhiphoprs.com.br/

Hip hop e a economia criativa

Para Ricardo Cappelli, presidente da ABDI, a cultura hip hop tem um impacto crescente na economia criativa brasileira. Segundo ele, o setor movimentou R$ 230 bilhões em 2020, representando 3,11% do PIB nacional, superando até a indústria automobilística.

“A economia criativa tem um peso enorme no PIB do país, e a cultura hip hop, em particular, é uma grande ferramenta de inclusão social. Em 2023, esse setor foi responsável por 7,8 milhões de novos empregos.”, destaca Cappelli.

Com o Decola Hip Hop RS, a expectativa é que a cultura urbana fortaleça ainda mais seu papel como motor de desenvolvimento social e econômico, promovendo oportunidades para artistas e ampliando a visibilidade do hip hop no estado.