Presidente do Louvre deixa cargo após roubo e pressão por mudanças na gestão

A presidente do Museu do Louvre, Laurence des Cars, renunciou ao cargo nesta terça-feira, 24 de fevereiro, em meio à crise provocada pelo roubo das joias da Coroa francesa, ocorrido em 19 de outubro de 2025. A demissão foi aceita pelo presidente Emmanuel Macron.

Em nota, o Palácio do Eliseu afirmou que o maior museu do mundo precisa de “apaziguamento” e de um “novo impulso” para avançar em projetos de segurança, modernização e no programa Louvre – Nova Renascença. Macron agradeceu a atuação de des Cars e indicou que ela poderá assumir missão ligada à presidência francesa do G7, voltada à cooperação entre grandes museus.

Nomeada em 2021, des Cars já havia colocado o cargo à disposição logo após o roubo, mas, à época, a ministra da Cultura, Rachida Dati, recusou a saída.

A crise no Louvre não se restringe ao episódio do furto. Nos últimos meses, funcionários organizaram mobilizações por melhores condições de trabalho, afetando o funcionamento do museu. Uma galeria chegou a ser fechada por fragilidades estruturais, e a instituição também foi alvo de fraude na bilheteria.

Paralelamente, uma comissão parlamentar de inquérito passou a investigar a segurança dos museus franceses. O deputado Alexandre Portier, do partido Os Republicanos, afirmou que o roubo revelou “falhas sistêmicas” e acusou o Louvre de atuar como um “Estado dentro do Estado”, sem a devida prestação de contas sobre o uso de recursos públicos.

A saída de Laurence des Cars abre um novo capítulo na gestão do Louvre, que agora busca recuperar credibilidade institucional e reforçar seus mecanismos de controle e proteção de acervo.