Foto: Pedro Isaías Lucas
A Ói Nóis Aqui Traveiz realiza, de 28 de março a 2 de abril, uma mostra de repertório para marcar seus 48 anos de trajetória. A programação reúne espetáculos, performances e atividades formativas, com entrada gratuita e intérprete de Libras em todas as ações.
A celebração dialoga com o aniversário de Porto Alegre e reafirma a identidade de um dos grupos mais importantes do teatro brasileiro, marcado pela atuação política, pela experimentação de linguagem e pela relação direta com a cidade.
Fundado no final de 1977, em plena ditadura civil-militar, o coletivo nasceu como resposta artística a um período de repressão, censura e violência. Desde então, construiu uma trajetória ligada a movimentos populares e à ideia de teatro como espaço de denúncia e reflexão social.
Programação percorre memória, política e linguagem
A mostra começa no dia 28 de março, às 20h, com o espetáculo M.E.D.E.I.A, solo de Tânia Farias. A montagem revisita o mito de Medeia a partir de uma leitura que desloca a personagem do lugar tradicional de culpa e a apresenta como uma mulher perseguida e transformada em bode expiatório por sua sociedade.
No dia 29, a performance Onde? Ação Nº. 2 ocupa o campus central da UFRGS. A ação evoca os desaparecidos políticos da ditadura, com imagens e nomes que transformam a cena em um gesto de memória e denúncia.
A programação segue no dia 30, às 20h, com Dopinho: um lugar de memórias sensíveis, palestra-performance de Marta Haas sobre o casarão da rua Santo Antônio que funcionou como centro clandestino de detenção e tortura durante o regime militar.
No dia 31, data que marca a estreia do primeiro espetáculo do grupo em 1978, entra em cena Manifesto de Uma Mulher de Teatro. No trabalho, Tânia Farias aborda a violência de gênero a partir de relatos pessoais e referências artísticas, construindo uma reflexão direta sobre a misoginia e suas consequências.
A mostra inclui ainda nova apresentação de Onde? Ação Nº. 2, no dia 1º de abril, na Esquina Democrática, e se encerra no dia 2 com o seminário A Preservação da Memória do Teatro, que discute a necessidade de políticas públicas para preservar a história de uma arte marcada pela efemeridade.
Teatro como resistência
Ao longo de quase cinco décadas, o Ói Nóis Aqui Traveiz consolidou uma linguagem própria, integrando corpo, voz e espaço cênico em criações que rompem com o formato convencional. O grupo acumula reconhecimentos como a Ordem do Mérito Cultural, o Prêmio Milu Villela e o Prêmio Shell.
Mais do que uma retrospectiva, a mostra funciona como afirmação de continuidade de um projeto artístico que mantém o teatro como espaço de confronto, memória e presença.
Serviço
Mostra de repertório – 48 anos do Ói Nóis Aqui Traveiz
28 de março, 20h
M.E.D.E.I.A – Terreira da Tribo
29 de março, 14h
Onde? Ação Nº. 2 – Campus central da UFRGS
30 de março, 20h
Dopinho: um lugar de memórias sensíveis – Terreira da Tribo
31 de março, 20h
Manifesto de Uma Mulher de Teatro – Terreira da Tribo
1º de abril, 17h
Onde? Ação Nº. 2 – Esquina Democrática
2 de abril, 20h
A Preservação da Memória do Teatro – Terreira da Tribo
Local: Terreira da Tribo
Endereço: Av. Pátria, 98, bairro São Geraldo, Porto Alegre
Entrada franca