Morre Brigitte Bardot, ícone do cinema europeu e da cultura pop, aos 91 anos

A atriz e cantora francesa Brigitte Bardot morreu neste domingo, aos 91 anos. A informação foi confirmada pela fundação que leva seu nome. A causa da morte não foi divulgada, assim como o local e o horário do falecimento.

Nascida em Paris, em 1934, Bardot atravessou os anos 1950 como uma das figuras mais influentes do cinema europeu. Estourou mundialmente com E Deus Criou a Mulher, dirigido por Roger Vadim, obra que rompeu padrões morais da época e a transformou em símbolo de liberdade feminina, desejo e provocação. A censura em países como os Estados Unidos só ampliou o impacto do filme e da atriz.

Brigitte Bardot durante visita ao Rio de Janeiro em janeiro de 1964 — Foto: Arquivo Nacional.

Ao longo da carreira, atuou em mais de 40 produções e gravou dezenas de canções. Mais do que papéis, construiu uma imagem. O cabelo solto, a postura corporal, o figurino e a atitude ajudaram a definir um novo ideal de mulher no pós-guerra. Bardot virou referência estética, cultural e comportamental, associada a lugares como Saint-Tropez, que ganhou projeção internacional com sua presença constante.

Em 1973, aos 39 anos, decidiu abandonar o cinema no auge da fama. A partir daí, passou a se dedicar integralmente à defesa dos animais. Em 1986, criou a Fundação Brigitte Bardot, voltada ao resgate, proteção e campanhas contra maus-tratos. Tornou-se uma das ativistas mais conhecidas da causa na Europa, postura que passou a definir sua vida pública nas décadas seguintes.

No Brasil, seu nome ficou ligado a Armação dos Búzios, cidade que visitou em 1964 em busca de anonimato. A passagem mudou o destino do balneário, que ganhou projeção internacional e hoje abriga a Orla Bardot e uma estátua em sua homenagem.

A vida pessoal foi marcada por relações intensas, quatro casamentos e uma relação difícil com o filho Nicolas-Jacques, fruto do casamento com Jacques Charrier. Bardot nunca escondeu o desconforto com a maternidade e falou abertamente sobre isso ao longo da vida.

Nos últimos anos, sua imagem voltou ao centro do debate público por declarações políticas e condenações judiciais na França, o que dividiu opiniões sobre seu legado. Ainda assim, sua importância histórica no cinema, na cultura pop e na discussão sobre liberdade feminina permanece incontornável.

Brigitte Bardot deixa uma obra que ultrapassa filmes e fotografias. Foi personagem central de um tempo, com todas as contradições que isso implica. Uma figura impossível de ser reduzida a um único rótulo.