Na manhã desta terça-feira, 22 de julho, a escritora e cronista Martha Medeiros foi anunciada como patrona da 71ª Feira do Livro de Porto Alegre, um dos eventos culturais mais tradicionais do país. A nomeação marca um momento simbólico para a literatura gaúcha e nacional, destacando a trajetória de uma autora que conquistou milhares de leitores com sua escrita sensível, direta e contemporânea.
Martha receberá a chave da Feira somente no dia 31 de outubro, durante a cerimônia de abertura oficial do evento, que será novamente realizado na Praça da Alfândega, no Centro Histórico da Capital, e se estenderá até o dia 15 de novembro. Com a escolha, ela se torna a oitava mulher a ocupar o posto de patrona ao longo da história da Feira, sucedendo o escritor Sergio Faraco, homenageado em 2024.
Nascida em Porto Alegre em 20 de agosto de 1961, Martha é formada em Comunicação Social pela PUCRS e iniciou sua carreira literária na poesia. Entre seus primeiros livros estão “Strip Tease” (1985), “Meia-Noite e Um Quarto” (1987) e “Persona Non Grata” (1991), todos publicados pela L&PM. Sua produção poética também inclui “De Cara Lavada”, “Poesia Reunida” e “Cartas Extraviadas e Outros Poemas”.
A partir dos anos 1990, Martha passou a se destacar como cronista, publicando textos que transitam entre o cotidiano, o existencial e o emocional. Seu primeiro livro de crônicas, “Geração Bivolt”, foi lançado em 1995, reunindo artigos publicados no jornal Zero Hora e textos inéditos. No ano seguinte, publicou o guia “Santiago do Chile, Crônicas e Dicas de Viagem”, inspirado nos oito meses em que viveu na capital chilena. Em 1997, com o livro “Topless”, venceu o Prêmio Açorianos de Literatura.
Ao longo da carreira, Martha Medeiros consolidou-se como uma das autoras brasileiras mais lidas, com sucessos como “Trem-Bala”, “Doidas e santas”, “Feliz por nada” e o romance “Divã”, que ultrapassou 50 mil exemplares vendidos, virou peça de teatro e foi interpretado por Lilia Cabral nos palcos e no cinema. Seu livro “Montanha Russa”, lançado em 2003, também recebeu o Prêmio Açorianos e foi finalista do Prêmio Jabuti.
Além de cronista e romancista, Martha escreveu ainda o infantil “Esquisita Como Eu” e o livro de ficção “Selma e Sinatra”. É colunista dos jornais Zero Hora e O Globo, mantendo presença constante nas páginas da imprensa nacional, com textos que dialogam com temas afetivos, sociais e culturais.
A escolha de Martha como patrona reforça o compromisso da Feira do Livro com a valorização da literatura produzida por mulheres, além de celebrar uma autora que ajudou a aproximar a leitura do grande público. A edição de 2025 promete reunir escritores, leitores, editoras e livreiros em uma programação ampla e gratuita, mantendo a tradição de ser o maior evento literário a céu aberto da América Latina.