Mancha e Gato: A epopeia de dois cavalos crioulos atravessa o continente e chega ao Brasil em edição inédita

Alcy Cheuiche/Acervo pessoal

A travessia lendária do suíço Aimé Tschiffely, realizada há um século com dois cavalos crioulos, ganha pela primeira vez uma tradução brasileira. O livro Mancha e Gato – A Cavalgada de Buenos Aires a Nova Iorque será lançado pela editora BesouroBox durante a Expointer, no dia 29 de agosto, às 18h30, no lounge da Morfologia da ABCCC. A tradução é do escritor gaúcho Alcy Cheuiche, que também participa da sessão de autógrafos no local.

A edição tem 200 páginas, custa R$75 e também pode ser adquirida pelo site www.editorabesourobox.com. O título resgata a jornada realizada entre 1925 e 1928, quando Tschiffely percorreu quase 18 mil quilômetros com seus cavalos Mancha e Gato, da Argentina até os Estados Unidos, enfrentando desertos, cordilheiras, selvas, rios e cidades desconhecidas.

Uma aventura real, sem exageros

Aimé Tschiffely não era um cavaleiro experiente. Era professor de inglês em Buenos Aires e havia nascido em Berna, na Suíça, em 1895. Antes de se mudar para a Argentina, viveu em Londres, onde estudou e praticou boxe amador. Ao propor a travessia, surpreendeu até os criadores locais. Mesmo assim, recebeu o apoio do veterinário e criador Emílio Solanet, que lhe confiou dois cavalos crioulos, já maduros e considerados pouco aptos para uma façanha desse tamanho.

A proposta de Tschiffely era simbólica: ir do Cruzeiro do Sul à Estrela Polar, como ele próprio costumava dizer. A viagem durou três anos, com passagens pelo Chile, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia, América Central e México, até alcançar os Estados Unidos. O feito foi narrado no livro Tschiffely’s Ride, publicado em 1933, em Londres. Até hoje, a aventura é considerada uma das maiores cavalgadas da história.

A tradução brasileira

Alcy Cheuiche, um dos principais autores da literatura gaúcha contemporânea, trabalhou durante um ano na tradução da obra. Segundo ele, a narrativa não se prende apenas à descrição da viagem, mas também mergulha nas relações humanas, no contato com culturas diversas e no vínculo afetivo entre homem e animal.

“Me vi montado em um dos dois pingos crioulos”, conta Alcy. “Saindo quase incógnito de Buenos Aires, atravessando desertos e rios, subindo e descendo montanhas altíssimas, convivendo com povos diferentes, e vendo os arranha-céus de Nova Iorque por entre as orelhas do meu cavalo.”

Um símbolo do cavalo crioulo

Mais do que uma aventura de resistência física, Mancha e Gato é uma homenagem à força, à inteligência e à lealdade dos cavalos crioulos. A raça, símbolo importante do Rio Grande do Sul, ganha protagonismo em uma das maiores travessias já documentadas. A escolha do local de lançamento na Expointer reforça essa ligação com a cultura e a tradição do pampa.

Aimé Tschiffely faleceu em 1954. Seus restos mortais foram enterrados junto aos dos cavalos Mancha e Gato, na propriedade de Emílio Solanet, próxima à cidade de Ayacucho, na Argentina.