Foto: Lucas Volpatto
O projeto de restauração da Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário concluiu a primeira etapa da obra, com a recuperação completa do telhado. A entrega ocorre no domingo, 1º de março, às 9h, em evento aberto à comunidade.
Com quase 250 anos, o templo é o mais antigo da cidade e símbolo da colonização portuguesa no Vale do Rio Pardo. O telhado apresentava infiltrações e danos provocados por térmitas, brocas e cupins. A intervenção incluiu reabilitação estrutural da madeira, imunização e substituição pontual de peças comprometidas.
Também foi instalada subcobertura metálica sobre os caibros, além do reentelhamento com telhas capa e canal, semelhantes às originais. Segundo o arquiteto Lucas Volpatto, do Studio1 Arquitetura, as medidas buscam evitar novas infiltrações, preservar a estrutura e facilitar inspeções futuras, com melhorias de acesso para manutenção.
A obra foi acompanhada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul e executada com recursos do Fundo de Apoio à Cultura, da Secretaria da Cultura do Estado. A realização é da Mitra Diocesana de Santa Cruz do Sul e da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, com gestão da Cult Assessoria e coordenação do Studio1 Arquitetura.

Educação patrimonial
Além da obra física, o projeto inclui ação inédita de educação patrimonial. No evento de entrega serão distribuídas duas cartilhas: uma sobre a história da igreja e outra sobre conservação de patrimônio tombado.
As publicações trazem pesquisa e texto dos historiadores Pedro Meirelles e Sofia Inda, ilustrações de Betina Nilsson e projeto gráfico de Telma A. Mota e Gabriela S. Pinto. O objetivo é orientar a comunidade sobre os cuidados necessários para preservar o prédio e identificar possíveis danos, evitando novas intervenções de grande porte.
Ao longo de 2025, estudantes do ensino fundamental, médio e de Arquitetura participaram de visitas orientadas com especialistas em patrimônio e conservação.
Patrimônio histórico e acervo sacro
Segundo pesquisa histórica, a primeira capela foi erguida em 1778. A construção atual começou em 1790, com base em projeto do engenheiro militar Francisco João Roscio, e foi concluída em 1801, inicialmente sem torres e sem revestimentos internos. As torres foram finalizadas em 1854 e 1885. Sinos e relógio datam da década de 1850. As pinturas internas são do período entre 1927 e 1930.
A fachada apresenta estilo historicista e eclético, com referências neoclássicas. O acervo sacro inclui o altar-mor original e retábulos históricos, como o de Nossa Senhora das Dores, com elementos do barroco e rococó, além das imagens de Nossa Senhora do Rosário, padroeira da Matriz, do Divino Espírito Santo, de Santa Teresinha e de São Francisco de Paula.
Destacam-se ainda o Cristo Morto, trazido da Bahia em 1848, com braços articulados para procissões da Semana Santa, e a imagem do Sagrado Coração de Jesus, encomendada em 1918 ao artista italiano Marino del Favero. As pinturas murais são assinadas por Fernando Schlatter e Franz Steinbacher, com destaque para o painel central que retrata os quatro Evangelistas.
A conclusão da primeira etapa marca o início de um novo ciclo de preservação para um dos marcos arquitetônicos mais importantes do interior gaúcho.
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