Foto: Lau Baldo
As mulheres que mantêm viva a tradição do artesanato em lã no interior do Rio Grande do Sul são as protagonistas de “Linhas da Terra e do Tempo”, longa-metragem documental dirigido por Tatiana Lohmann. Entre os dias 10 e 18 de julho, a equipe realiza a segunda etapa das gravações em Lavras do Sul, São Miguel das Missões e Cambará do Sul. Em agosto, as filmagens seguem em Pinheiro Machado. A estreia está prevista para 2027.
Produzido pela Gloriosa Filmes, o documentário acompanha cerca de 20 artesãs que preservam técnicas tradicionais de produção da lã e transformam esse conhecimento em fonte de renda, autonomia e afirmação cultural. Mais do que registrar um ofício, o filme busca contar histórias de mulheres que encontraram no artesanato uma forma de resistência e valorização de suas trajetórias.
Segundo a diretora Tatiana Lohmann, a proposta é mostrar como o trabalho com a lã também reflete mudanças sociais e a transformação do papel feminino nas comunidades rurais. O documentário revela mulheres que, ao preservar uma tradição centenária, também conquistam independência e reconhecimento.
Uma das personagens é a artesã Dalva Mothci, de São Miguel das Missões. Ela aprendeu a bordar ainda criança com a mãe e, após o casamento, passou a dominar todas as etapas da produção da lã, desde a criação das ovelhas até a confecção das peças em tricô, crochê, tear e costura.
Além dos depoimentos, o filme registra todo o processo artesanal, da tosquia das ovelhas à limpeza, lavagem, secagem, fiação, roca, tear e acabamento das peças. A direção de fotografia é de Edu Rabin, que acompanha tanto o cotidiano das artesãs quanto as paisagens do Pampa gaúcho, reforçando a ligação entre território, memória e cultura.
O projeto também documenta personagens de diferentes regiões do Estado, incluindo São Borja, Bagé, Jaguarão, Mostardas, Caçapava do Sul e Cambará do Sul, revelando a diversidade de técnicas, saberes e modos de vida ligados à cadeia produtiva da lã.
“Linhas da Terra e do Tempo” tem produção executiva de Kátia Samara, patrocínio do Nubank, por meio da Ancine e da Lei do Audiovisual, em parceria com o projeto Lãs do RS. A expectativa é que o documentário chegue ao público em 2027, valorizando uma tradição que atravessa gerações e ajuda a preservar parte importante da identidade cultural do Rio Grande do Sul.