Patrick T. Fallon / AFP
Bad Bunny transformou o show do intervalo do Super Bowl em uma celebração explícita da cultura porto-riquenha e entrou para a história como o primeiro artista latino a comandar a apresentação majoritariamente em espanhol.
O astro abriu o espetáculo com “Tití Me Preguntó”, caminhando por um cenário que evocava tradições da ilha, com dominó, referências populares e a famosa La Casita, casa rosa que virou marca registrada de seus shows. Em seguida, incendiou o estádio com “Yo Perreo Sola”, cercado por uma coreografia massiva de dançarinos.
A sequência de reggaeton elevou o clima com faixas como “Safaera”, “Party”, “Voy a Llevarte Pa’ PR” e “EoO”. Sobre o telhado da La Casita, Bad Bunny conduziu o momento mais intenso do set, enquanto celebridades como Jessica Alba, Karol G e Pedro Pascal apareciam como convidados.
O ponto de virada veio com a entrada de Lady Gaga, que cantou uma versão salsa de “Die With a Smile”, acompanhada por Los Pleneros de la Cresta, banda de apoio do artista. A parceria desembocou em “Baile Inolvidable”, reforçando o clima caribenho.
Na reta final, Bad Bunny trouxe Ricky Martin para “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, antes de afirmar seu orgulho nacional com “El Apagón” e “Café con Ron”. O encerramento veio com “DtMF”, coroado por uma explosão de fogos.
Entre as músicas, o cantor gritou “God bless America” e citou países da América Latina, gesto que acentuou o caráter político-cultural da apresentação.
Não foi sua estreia no Super Bowl. Em 2020, ele já havia participado do intervalo de Jennifer Lopez e Shakira com “I Like It” ao lado de Cardi B. Desta vez, porém, assumiu o centro do palco, num momento que dividiu opiniões nos Estados Unidos.
Setores conservadores reagiram duramente à escolha da NFL, chamando o show de “antiamericano”. Grupos ligados à direita chegaram a organizar um “intervalo alternativo” com Kid Rock, e Donald Trump disse publicamente que não conhecia Bad Bunny e considerou a decisão “ridícula”.
O cantor evitou confronto direto. Em coletiva antes do jogo, deixou claro que seu objetivo era outro, projetar Porto Rico para o mundo. “Quero levar minha cultura ao palco. Vai ser uma festa, as pessoas só precisam dançar”, afirmou.
Com isso, o intervalo não foi apenas entretenimento, mas um ato de afirmação cultural latina em um dos maiores palcos da televisão mundial.