O porto-riquenho Bad Bunny fez nesta sexta, 20 de fevereiro, sua primeira apresentação no Brasil, diante de um Allianz Parque completamente lotado. No auge da carreira, o artista trouxe a turnê DeBÍ TiRAR MáS FOToS, projeto que mistura nostalgia, identidade latino-americana e discurso cultural, sem depender de pirotecnia exagerada para sustentar o espetáculo.
Logo no início, ele demonstrou surpresa com a recepção. Disse que não sabia o que esperar e agradeceu em português. A plateia respondeu cantando em coro e criando o clima que guiou toda a apresentação.
Estrutura em atos e estética diferente dos megashows
O show foi dividido em blocos bem definidos, com narrativa visual forte e direção de telão precisa. A proposta privilegia música e atmosfera em vez de efeitos fáceis. Um dos momentos centrais acontece na chamada “Casita”, estrutura cenográfica em forma de varanda caribenha onde o artista simula uma festa de rua.
Vestindo uniforme da seleção brasileira de 1962, ele transformou a parte intermediária do show em baile dançante, com sucessos como Yo Perreo Sola e Tití Me Preguntó. A ideia é aproximar artista e público, embora quem estava distante tenha dependido mais das telas para acompanhar.
Banda grande e arranjos quentes
A formação ao vivo inclui 17 músicos, entre sopros e backing vocals, o que dá peso instrumental e nova textura às canções. Em um dos trechos, a banda executa sozinha uma versão de Mas que nada, clássico de Sergio Mendes, reforçando o diálogo musical com o Brasil.
Outro detalhe simbólico aparece quando a melodia de Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, surge dentro de uma faixa do repertório. O recurso funciona como aceno direto ao público local.

Mistura de estilos explica alcance global
O repertório percorre várias fases da carreira e mostra como o artista expandiu o chamado trapeton, fusão de trap com reggaeton. Desde o sucesso do álbum Un Verano Sin Ti, ele ampliou a sonoridade com salsa, eletrônica e pop latino, deixando de lado a rigidez de gênero.
Esse trânsito musical ajuda a entender números impressionantes de audiência digital e o crescimento de popularidade após apresentações em eventos globais como o Super Bowl, além da liderança recorrente nas plataformas como o Spotify.
Discurso político discreto, mensagem latino-americana forte
Conhecido por posições públicas sobre direitos civis e imigração, o cantor adotou tom mais leve no palco. Preferiu falar de união cultural entre Brasil, Porto Rico e América Latina. Repetiu a ideia de celebração coletiva, dizendo que o show era para dançar, rir e se emocionar.
O posicionamento aparece mais nas letras do que em falas. Canções de desilusão amorosa e arrependimento são interpretadas com vocal carregado de emoção, contraste interessante com o clima festivo da apresentação.
Reação do público confirma fenômeno
A resposta da plateia foi intensa do início ao fim. Coros massivos e celulares erguidos marcaram praticamente todas as músicas. O entusiasmo lembra momentos raros de shows internacionais cantados em espanhol que mobilizam multidões no país, algo que não se via com essa força desde turnês de fenômenos pop latinos.
Síntese do que se viu na estreia
O primeiro show brasileiro deixa três impressões claras:
- a força de público é real e não só digital
- a proposta estética foge do padrão pop previsível
- a identidade latina é o eixo central do projeto
O segundo espetáculo acontece neste sábado, novamente com ingressos esgotados. Se repetir o clima da estreia, a passagem pelo Brasil tende a entrar para a lista de apresentações marcantes da carreira do artista.
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