A Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo (OSNH), uma das mais tradicionais instituições musicais do Rio Grande do Sul, encerrará suas atividades após 72 anos de funcionamento ininterrupto. O motivo é o corte de repasses da Prefeitura de Novo Hamburgo, que alegou dificuldades financeiras para manter a parceria com o Instituto Arlindo Ruggeri, responsável pela gestão do grupo.
A decisão impacta diretamente 34 músicos profissionais, que ficarão desempregados, além de três núcleos de ensino musical para crianças na cidade, que também serão suspensos. O fim da OSNH representa uma grande perda para o cenário cultural da região, já que a orquestra foi tombada como patrimônio histórico, artístico e cultural de Novo Hamburgo em 2008.
Desde janeiro de 2025, a direção da OSNH tentava reverter a decisão do prefeito Gustavo Finck, promovendo reuniões e alertando sobre a importância da orquestra para a cidade. No entanto, a resposta oficial só veio no último dia 14 de março, quando a Secretaria Municipal da Cultura comunicou que não haveria continuidade no financiamento.
“Fomos comunicados inicialmente em janeiro e, desde então, conversamos com várias pessoas e, por fim, com o próprio prefeito. Explicamos a importância da orquestra, que é tombada como patrimônio, e ele prometeu nos dar uma resposta, que nunca veio. Na última sexta-feira (dia 14), recebemos o comunicado de que não haveria continuidade”, afirmou Vera, dirigente do Instituto Arlindo Ruggeri.
Além da OSNH, o instituto também mantém o Núcleo de Orquestras Jovens de Novo Hamburgo, um projeto social que oferece ensino gratuito de música para crianças. Com o corte de verba, três polos serão fechados, afetando diretamente 75 crianças.
Orquestra histórica
Criada em 1952, a OSNH é um dos conjuntos musicais mais antigos do Estado, ficando atrás apenas da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA), que completará 75 anos em 2025. Ao longo de sua trajetória, a orquestra foi fundamental para a formação de músicos e para a valorização da cultura local.
Em 2022, a Prefeitura de Novo Hamburgo cedeu ao Instituto Arlindo Ruggeri um prédio histórico tombado para ser transformado na Casa da Orquestra. O espaço, que possui verba estadual aprovada para restauro, agora corre o risco de ver seu projeto inviabilizado com o fechamento da OSNH.
O Instituto Arlindo Ruggeri lamentou a decisão e reforçou que seguirá tentando reverter a situação.
“A arte, neste caso a música, é essencial para o desenvolvimento pessoal, a descoberta de vocações e também para o crescimento econômico. Vamos continuar lutando para manter esse patrimônio vivo”, declarou a entidade em comunicado oficial.
O fim da Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo deixa claro a política do município sobre a priorização da cultura nas ações públicas municipais. O prefeito Gustavo Finck ainda não se manifestou sobre possíveis alternativas para manter a OSNH ativa.
Enquanto isso, músicos, alunos e a comunidade cultural seguem mobilizados, buscando apoio para tentar reverter a decisão e preservar um dos maiores patrimônios culturais de Novo Hamburgo.