Apocalipse nos Trópicos/Foto: Divulgação
O novo documentário de Petra Costa, que investiga a relação política entre Silas Malafaia e Jair Bolsonaro, tornou-se o destaque brasileiro na disputa internacional. A produção aparece como finalista em quatro categorias do pré-Oscar e amplia o alcance global da diretora, já reconhecida por “Democracia em Vertigem”.
O filme aprofunda o papel desempenhado por Malafaia nos bastidores do governo Bolsonaro, revelando a influência direta do pastor em decisões estratégicas, articulações com a base religiosa e orientações políticas dadas ao ex-presidente. Petra parte de documentos, imagens de arquivo e entrevistas com ex-assessores, religiosos, analistas e figuras do próprio bolsonarismo para reconstruir um mapa de poder que por muitos anos operou na sombra.
A narrativa mostra como a aliança entre Bolsonaro e Malafaia se tornou central para a mobilização evangélica nas eleições e para a sustentação do governo, especialmente em momentos de crise. O documentário também analisa o papel das igrejas neopentecostais na política brasileira, a formação de redes de desinformação, a lógica de influência espiritual convertida em capital político e a disputa por fiéis transformada em força eleitoral.
As quatro indicações no pré-Oscar colocam Petra Costa novamente no radar da Academia. Depois da repercussão internacional de “Democracia em Vertigem”, o novo longa reforça sua posição como uma das cineastas brasileiras mais presentes no debate público mundial. A diretora volta a trabalhar com uma combinação de investigação política, relato histórico e análise do comportamento social.
A boa recepção internacional não surpreende críticos. O tema tem forte peso global, já que expõe como líderes religiosos influenciam governos em diferentes países. No caso brasileiro, a aproximação entre Bolsonaro e Malafaia se transformou em um dos eixos da radicalização política recente. O filme registra, sem excesso de adjetivos, momentos decisivos dessa parceria, incluindo reuniões internas, disputas dentro do próprio campo evangélico e episódios de pressão institucional.
Ao liderar as indicações, o documentário coloca o Brasil numa posição rara no circuito pré-Oscar e abre espaço para novas discussões internas sobre o impacto da religião na política nacional. Petra Costa, mais uma vez, transforma um capítulo sensível da vida pública brasileira em obra cinematográfica com repercussão internacional.