O filme “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres, conquistou o prêmio de Melhor Filme no Festival de Palm Springs, realizado neste domingo (12). A vitória foi anunciada pelo júri do evento, composto por membros da Fipresci, a Federação Internacional de Críticos de Cinema.
Segundo o júri, a escolha do filme se deu pela sua poderosa narrativa que “registra o horror invasivo da ditadura pela perspectiva íntima de uma mãe que não defende apenas a sua família de cinco filhos, mas a própria dignidade”. Essa abordagem sensível e profunda da realidade brasileira da década de 1970 tem chamado a atenção de críticos e público, destacando a importância da memória e da resistência em tempos de opressão.
Além do prêmio de Melhor Filme, o Festival de Palm Springs também premiou o filme “Vermiglio” com o prêmio de Melhor Roteiro, enquanto Zoe Saldaña foi reconhecida como Melhor Atriz por sua performance em “Emilia Pérez”. O prêmio de Melhor Ator foi concedido ao trio da Kneecap, composto por Mo Chara, Móglaí Bap e DJ Provái, e “No Other Land” levou o prêmio de Melhor Documentário. O filme brasileiro “Manas”, de Marianna Brennand, recebeu uma menção especial de Melhor Filme Ibero-Americano.
“Ainda Estou Aqui” é ambientado no Brasil de 1971, um período crítico sob o regime militar. A história, baseada nas memórias de Marcelo Rubens Paiva sobre sua mãe, Eunice Paiva, retrata a luta de uma mulher que se transforma em ativista após o sequestro de seu marido pela Ditadura Militar. Com uma narrativa que mescla dor e resiliência, o filme destaca a figura de Eunice, interpretada com maestria por Fernanda Torres.
A atuação de Fernanda tem sido amplamente elogiada, culminando em sua indicação ao Globo de Ouro, onde conquistou o prêmio de Melhor Atriz em Filme de Drama. Ela concorreu com grandes nomes da indústria, como Nicole Kidman, Angelina Jolie e Tilda Swinton.
Com a estreia marcada para 17 de janeiro nos Estados Unidos, “Ainda Estou Aqui” se prepara para uma nova fase em sua trajetória, agora com um reconhecimento internacional que pode impulsionar ainda mais sua visibilidade na disputa pelo Oscar. A expectativa é alta entre críticos e cinéfilos, que aguardam ansiosos para conferir essa obra que resgata e celebra a luta pela dignidade e liberdade em tempos sombrios.