Premiado em Gramado e no Festival do Rio, “Uma em Mil” estreia nos cinemas em dezembro

Documentário dos irmãos Jonatas e Tiago Rubert discute autonomia e inclusão a partir da experiência de duas gerações de uma mesma família com síndrome de Down

Premiado nos festivais de Gramado e do Rio, o documentário Uma em Mil estreia nos cinemas brasileiros no dia 3 de dezembro. O filme é dirigido pelos irmãos Jonatas e Tiago Rubert e marca a estreia de ambos na direção de um longa-metragem. Tiago, que tem síndrome de Down, também participa como personagem e roteirista da produção.

Com 70 minutos de duração, Uma em Mil parte da própria história da família Rubert para discutir autonomia, deficiência intelectual e os padrões sociais que determinam o que é considerado “normal”.

O filme acompanha duas gerações da família com trissomia 21. Além de Tiago, de 27 anos, aparece seu tio Cleber Puntel, que vive com a avó Olinda Dal Ri Puntel. A mãe dos diretores, Giselda Salete Rubert, também participa do documentário.

Ao colocar essas experiências lado a lado, os irmãos procuram mostrar como família, lugar de origem, oportunidades e ambiente social interferem na independência e nas escolhas de cada pessoa.

“Somos dois irmãos, Jonatas com 36 anos e Tiago, que tem 27 anos e tem síndrome de Down. Estamos fazendo este filme para tentar entender quais são as diferenças que a deficiência intelectual faz emergir desde o ambiente familiar e a busca pela independência”, explicam os diretores.

A pergunta sobre o que é normal atravessa toda a produção. O próprio título parte da referência à estimativa de nascimento de pessoas com síndrome de Down. A partir daí, o documentário transforma situações aparentemente banais do cotidiano em questões sobre autonomia e expectativas impostas às pessoas com deficiência.

Reconhecimento em festivais

Antes de chegar ao circuito comercial, Uma em Mil passou por diferentes festivais. No Festival do Rio, recebeu o prêmio de Melhor Longa-Metragem da Mostra Novos Rumos. No Festival de Gramado, conquistou três prêmios na Mostra Gaúcha, nas categorias Melhor Direção, Melhor Roteiro e Melhor Montagem.

O documentário também recebeu os prêmios de Melhor Filme pelo voto popular e Melhor Direção de Fotografia, para Juliano Ferreira Possebon, no Festival Guarnicê. Em Portugal, ganhou Menção Honrosa no DOC.Coimbra.

Na Alemanha, participou do DOK.fest München e foi o único representante latino-americano entre os indicados ao All Inclusive Award. O longa também passou pelo FRAPA, Festival Acessa BH, Mostra ADENTRO e Mostra.doc.

O projeto nasceu de uma pesquisa que anteriormente havia resultado no curta de animação A Diferença entre Mongóis e Mongoloides, lançado em 2021. O trabalho recebeu prêmios de direção, roteiro e direção de arte na Mostra Gaúcha do Festival de Gramado.

Tiago também escolheu o cinema

A participação de Tiago Rubert no projeto foi se transformando durante o processo de realização. Inicialmente, sua experiência pessoal estava no centro da pesquisa conduzida pelo irmão. Com o passar dos anos, Tiago passou a participar das decisões criativas e, a partir de 2021, assumiu também as funções de diretor e roteirista.

Ele frequentou oficinas e cursos de cinema, música, teatro e fotografia e atualmente trabalha como auxiliar em uma rede hoteleira. Seu objetivo profissional, porém, é seguir trabalhando com cinema.

Jonatas Rubert é cineasta e antropólogo. Dirigiu e roteirizou A Diferença entre Mongóis e Mongoloides e trabalhou como montador em produções como a série Dragon e os longas Portuñol e Virgínia e Adelaide. Em 2024, recebeu o Kikito de montagem no Festival de Gramado por Memórias de um Esclerosado.

A produção de Uma em Mil é de Natasha Ferla, com coprodução de Daniel Gonçalves. A fotografia é de Juliano Ferreira Possebon e a montagem de Joana Bernardes e Thais Fernandes. A trilha sonora é assinada por Gustavo Foppa e Jonts Ferreira.

Produzido por Alata, Faço Filmes e SeuFilme, o documentário tem distribuição da Alata. A estreia nacional está marcada para 3 de dezembro.