Morre Dolly Parton, um dos maiores nomes da música country, aos 80 anos

Dolly Parton (Foto: Terry Wyatt/WireImage

Cantora e compositora de “Jolene”, “9 to 5” e “I Will Always Love You” construiu uma carreira de seis décadas e levou a música country para muito além das fronteiras dos Estados Unidos

Dolly Parton, uma das artistas mais importantes da história da música country, morreu aos 80 anos. A informação foi confirmada nesta terça-feira (25) por Brian Seaver, sobrinho da cantora. Nos últimos meses, Dolly vinha enfrentando problemas de saúde e havia reduzido suas aparições públicas.

Nascida Dolly Rebecca Parton em 19 de janeiro de 1946, no Tennessee, ela era a quarta de 12 filhos de uma família pobre da região rural dos Estados Unidos. Cresceu em uma casa sem eletricidade e encanamento e encontrou na música, presente nas reuniões familiares e na igreja, um caminho que começou a seguir ainda criança. Aos oito anos ganhou um violão do tio Bill Owens e pouco depois já aparecia em programas locais de televisão.

Aos 18 anos, um dia depois de concluir o ensino médio, Dolly pegou um ônibus para Nashville levando o violão, algumas músicas próprias e o projeto de se tornar cantora. Começou compondo para outros artistas e lançou seu primeiro álbum em 1967. No final da década já fazia parte do Grand Ole Opry, uma das instituições mais tradicionais da música country norte-americana.

O sucesso cresceu nos anos 1970. Depois de sete anos trabalhando ao lado de Porter Wagoner, Dolly decidiu seguir carreira independente. A despedida inspirou uma de suas músicas mais conhecidas, “I Will Always Love You”, que chegou ao primeiro lugar da parada country em 1974. Quase duas décadas depois, a composição ganharia dimensão mundial na gravação de Whitney Houston.

Na mesma época surgiu “Jolene”. A canção, lançada em 1973 e inspirada no ciúme provocado pela atenção que uma funcionária de banco dava ao marido da cantora, tornou-se uma das marcas de sua carreira. Vieram depois sucessos como “Here You Come Again” e “9 to 5”, que ajudaram Dolly a romper os limites do country e chegar ao grande público.

Ela também construiu uma carreira importante no cinema. Estreou em “Como Eliminar Seu Chefe”, ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin. O trabalho rendeu uma indicação ao Globo de Ouro, enquanto a música “9 to 5” foi indicada ao Oscar e chegou ao primeiro lugar das paradas pop. O filme ultrapassou US$ 100 milhões de bilheteria. Dolly atuaria ainda em produções como “A Melhor Casa Suspeita do Texas”, “Rhinestone” e “Flores de Aço”.

Sua capacidade de atravessar gêneros e gerações tornou-se uma característica da carreira. Gravou com Kenny Rogers, Linda Ronstadt, Emmylou Harris, Loretta Lynn e Tammy Wynette, entre muitos outros artistas. Em 2023, lançou “Rockstar”, disco de 30 faixas que reuniu nomes como Paul McCartney, Ringo Starr, Joan Jett, Rob Halford, Pink, Miley Cyrus, Steven Tyler e Steve Perry.

Dolly entrou para o Country Music Hall of Fame em 1999, para o Songwriters Hall of Fame em 2001 e para o Rock & Roll Hall of Fame em 2022. Também recebeu a National Medal of the Arts e foi homenageada pelo Kennedy Center.

Nos últimos anos, a saúde passou a limitar sua agenda. Depois da morte do marido, Carl Dean, em março de 2025, Dolly revelou que enfrentava problemas que havia deixado em segundo plano enquanto cuidava dele. Os dois ficaram casados por quase seis décadas. Em 2025, ela anunciou apresentações em Las Vegas, mas os shows foram adiados e posteriormente cancelados por razões de saúde.

Mesmo afastada dos palcos, continuou trabalhando. Entre seus projetos mais recentes estavam o SongTeller, hotel inaugurado em Nashville, e o museu Life of Many Colors. Dolly também deixou gravadas partes vocais de diversas composições inéditas para que o material possa ser trabalhado e lançado no futuro.

Ao longo de mais de seis décadas, Dolly Parton conseguiu algo raro: tornou-se uma estrela mundial sem abandonar a identidade de compositora country que levou para Nashville ainda adolescente. Entre cinema, televisão, negócios e uma imagem que virou parte da cultura popular norte-americana, ela sempre insistiu que o essencial estava nas canções.

Em 2020, ao falar sobre como gostaria de ser lembrada, resumiu a própria trajetória de maneira simples: “As músicas são o meu legado.”