Foto: Náthaly Weber
A Bataclã FC apresenta nesta sexta-feira (21), em Porto Alegre, o pré-lançamento de “Sopapo Beat”, novo álbum da banda. O show será no Espaço 512, na Cidade Baixa, a partir das 22h. O disco completo chega às plataformas digitais em outubro.
No novo trabalho, a Bataclã coloca o sopapo no centro de sua música e também da discussão que acompanha a trajetória do grupo. O grande tambor, ligado à cultura negra do Rio Grande do Sul, serve de ponto de encontro entre ancestralidade e sonoridades contemporâneas. Rock, rap, samba gaúcho e percussão voltam a dividir espaço em uma mistura que a banda desenvolve há quase três décadas.
“Sopapo Beat” também parte de uma ideia que acompanha o trabalho de Richard Serraria: contestar uma visão do Rio Grande do Sul construída quase exclusivamente a partir da imigração europeia. O álbum recupera a presença e a contribuição das populações negras e originárias na formação econômica, social e cultural do Estado.
“Uma marca de amefricanidade, cunhada por Lélia Gonzalez. Sopapo raiz e antena chamando atenção para a necessidade urgente de incorporação de saberes negros e originários ao corpus da historiografia cultural brasileira”, afirma Serraria.
A relação do músico com o sopapo vem de longe. Serraria trabalha com o instrumento desde 1999, a partir do Projeto Cabobu, em Pelotas. A própria Bataclã FC participou da fundação do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo e sugeriu o nome do espaço. Também esteve envolvida na construção do roteiro e da trilha sonora do documentário O Grande Tambor, lançado em 2010. No ano seguinte, recebeu do Ministério da Cultura o Selo Cultura Viva pelo trabalho de valorização do instrumento.
Ao longo dos anos, o sopapo deixou de estar restrito ao universo musical e passou a ocupar diferentes espaços da produção cultural gaúcha, da literatura às universidades, passando pela contação de histórias, performances e outras manifestações artísticas.
Um disco construído no palco
“Sopapo Beat” começou a ser produzido em meados de 2025 e adotou um caminho independente. A própria banda vem financiando o projeto com recursos obtidos em seus shows, destinando parte dos cachês à gravação e produção do álbum.
O trabalho será o quarto registro fonográfico da Bataclã FC e mantém uma característica presente desde a origem do grupo: música e posicionamento caminham juntos. As canções falam da vida urbana, da periferia, das desigualdades e das contradições de Porto Alegre, sem abandonar o peso instrumental e a poesia que marcaram os trabalhos anteriores.
“Bataclã FC é denúncia, é participação cidadã no formato canção, mas é sobretudo a crença de que através da educação e da cultura se faz possível a construção de um mundo mais justo e, portanto, melhor. Isso é Sopapo Beat, a dança das cadeiras sem prescindir da dança do intelecto”, define Richard Serraria.
Com oito Prêmios Açorianos de Música ao longo da trajetória, a Bataclã já abordou temas sociais, políticos e ambientais em trabalhos anteriores. Em Pai Guaíba, por exemplo, o grupo colocou no centro das canções sua relação com a cidade e com o Guaíba.
Show mistura músicas novas e repertório da banda
O público do Espaço 512 poderá conhecer parte das faixas de “Sopapo Beat” antes da chegada oficial do álbum às plataformas. O repertório também recupera músicas de outros períodos da Bataclã FC.
No palco estarão Sandro Gravador, Duke Jay, Pingo Borel, Tuti Rodrigues, Vitor Curth, Danilo Marcondes, Angelo Primon, Marcelo Corsetti, Indira Castro, Letícia Francisco e Richard Serraria. O show terá ainda participação especial de Pablo Lanzoni.
SERVIÇO
Bataclã FC – pré-lançamento de “Sopapo Beat”
Quando: sexta-feira, 21 de agosto
Horário: 22h — abertura da casa às 20h
Onde: Espaço 512 — Rua João Alfredo, 512, Porto Alegre
Ingressos: Espaço 512 – Bataclã FC