Documentário gaúcho aborda o candombe e a cultura afro-uruguaia em sessões gratuitas no RS

Produção dirigida por Adriana Gonçalves Ferreira será exibida em Bagé, Porto Alegre e Santa Maria, com debates após as sessões

O documentário Tambor Sem Fronteiras, da cineasta gaúcha Adriana Gonçalves Ferreira, entra em circuito com três exibições gratuitas e comentadas no Rio Grande do Sul. A estreia ocorre nesta terça-feira, 28 de abril, em Bagé, dentro do 17º Festival Internacional de Cinema da Fronteira. Depois, o filme chega a Porto Alegre, no dia 8 de maio, e a Santa Maria, em 19 de maio.

O longa tem como eixo o candombe, manifestação cultural afro-uruguaia marcada pelo toque de três tambores e pela presença forte nas ruas de Montevidéu, especialmente no Carnaval. Mais do que uma expressão artística, o candombe representa identidade, resistência e memória da diáspora africana. Desde 2009, é reconhecido como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

Dirigido e narrado pela própria Adriana, o filme aposta em uma abordagem sensível, com destaque para a perspectiva feminina dentro dessa tradição cultural. A narrativa mistura música, dança e depoimentos, construindo um olhar poético sobre a presença do candombe na região de fronteira entre Brasil e Uruguai.

As gravações começaram em 2015 e passaram por cidades gaúchas como Bagé, Porto Alegre, Santa Maria e Santana do Livramento, além de localidades uruguaias como Rivera e Montevidéu. O projeto nasceu a partir de atividades do ponto de cultura Pampa Sem Fronteiras, que promoveu oficinas e intercâmbios com mestres do candombe.

Um dos resultados desse processo foi a criação do grupo Grillos Candomberos de Bagé, exemplo da troca cultural que o filme registra. Segundo a diretora, o candombe se caracteriza pela inclusão e pelo compartilhamento de saberes, atravessando fronteiras e fortalecendo vínculos comunitários.

Tambor Sem Fronteiras tem 70 minutos de duração e é o terceiro longa de Adriana, que também atua como pesquisadora nas áreas de educação e patrimônio cultural. A produção foi viabilizada com recursos da Lei Paulo Gustavo e de editais de incentivo à cultura no Estado.

As sessões terão entrada franca e contarão com a presença da equipe para debate com o público.