Acadêmicos de Niterói homenageou trajetória pessoal e política de Lula em estreia no Grupo Especial do Carnaval. Foto: Divulgação / Emerson Pereira
A primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, realizada neste domingo na Marquês de Sapucaí, levou à avenida enredos marcados por figuras históricas e pela valorização da cultura brasileira. Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira apresentaram espetáculos que combinaram grandiosidade visual e narrativas de forte conteúdo simbólico.
Acadêmicos de Niterói homenageia Lula
A Acadêmicos de Niterói abriu os desfiles com um enredo dedicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A apresentação percorreu sua trajetória desde a infância em Pernambuco até a atuação como líder sindical e figura central da política brasileira.
As alegorias representaram momentos-chave da vida do presidente, incluindo sua migração para São Paulo e o trabalho como metalúrgico. Apesar de problemas técnicos em carros alegóricos no fim do desfile, a escola manteve a evolução e concluiu a apresentação dentro do tempo regulamentar.
Imperatriz Leopoldinense celebra Ney Matogrosso
A Imperatriz Leopoldinense apostou na força estética e simbólica da carreira de Ney Matogrosso. O cantor, de 84 anos, participou do desfile e surgiu no alto de uma alegoria com figurino elaborado com milhares de cristais.
O enredo destacou diferentes fases do artista, conhecido por romper padrões e desafiar convenções. As alegorias exploraram elementos visuais ligados à sua trajetória, enquanto a bateria e as fantasias reforçaram o caráter teatral e transgressor que marcou sua carreira.
Mesmo com dificuldades momentâneas na movimentação de um carro alegórico, a escola manteve a consistência e entregou uma apresentação de forte impacto visual.
Portela exalta a cultura afro-gaúcha
A Portela levou à avenida um enredo centrado na presença negra no Rio Grande do Sul, com destaque para a figura histórica do Príncipe Custódio e a tradição do batuque. A escola também incorporou símbolos como o orixá Bará e o Negrinho do Pastoreio.
O desfile apostou em efeitos visuais sofisticados e alegorias de grande dimensão. Um dos momentos mais emocionantes ocorreu antes mesmo da entrada oficial, quando integrantes lembraram o intérprete Gilsinho, falecido no ano passado.
Problemas técnicos no último carro provocaram interrupção temporária, mas a escola conseguiu reorganizar o desfile e concluir a apresentação dentro do tempo previsto.
Mangueira encerra com homenagem à Amazônia Negra
A Mangueira fechou a noite com um enredo dedicado ao curandeiro Mestre Sacaca, figura emblemática da cultura afro-indígena do Amapá. A apresentação destacou elementos da espiritualidade, da natureza e da ancestralidade amazônica.
A comissão de frente trouxe efeitos visuais impactantes, enquanto alegorias e fantasias representaram a fauna, a flora e os rituais da região. A bateria manteve o público mobilizado ao longo do desfile.
Apesar de dificuldades técnicas na saída de um dos carros alegóricos, a escola manteve o ritmo e encerrou sua apresentação sem prejuízo ao tempo oficial.
Segunda noite segue nesta segunda-feira
Os desfiles continuam nesta segunda-feira com Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Viradouro e Unidos da Tijuca. O Carnaval 2026 reafirma o Sambódromo como espaço onde história, cultura e identidade ganham forma em espetáculo coletivo.