New England Patriots e Seattle Seahawks disputarão o Super Bowl LX no Levi’s Stadium, em Santa Clara, na Califórnia – Kirby Lee / USA Today Network
O Super Bowl não é apenas um jogo de futebol americano. É o retrato mais acabado de como esporte, dinheiro e entretenimento se misturam no mundo contemporâneo.
Neste domingo, em Santa Clara, no Levi’s Stadium, a final da NFL entre New England Patriots e Seattle Seahawks vai parar os Estados Unidos e uma boa parte do planeta. Mas o que realmente move esse evento não são só as jogadas em campo, e sim a engrenagem econômica gigantesca que gira ao redor dele.
Os números impressionam porque revelam algo maior. A publicidade na transmissão deve ultrapassar US$ 800 milhões. Cada 30 segundos de comercial custa entre US$ 8 milhões e US$ 10 milhões. Não existe espaço publicitário mais caro no planeta. Isso mostra o poder da televisão ao vivo sobre como grandes marcas disputam atenção em um mundo cada vez mais fragmentado.
O impacto local também é brutal. Em 2025, em Nova Orleans, o evento gerou mais de US$ 1,2 bilhão em circulação de renda, somando gastos de turistas, investimentos dos organizadores, empregos e impostos. Para Santa Clara, a expectativa é de 100 mil visitantes e 400 mil diárias de hotel. É turismo, serviços, logística e dinheiro correndo por poucos dias.
Mas talvez o dado mais revelador seja o consumo doméstico. Mais de 127 milhões de americanos assistem ao jogo só nos EUA, além de 60 milhões em outros países. Com comida, bebida e produtos ligados ao evento, os gastos passam de US$ 20 bilhões. Ou seja, o Super Bowl virou um ritual social, quase um feriado não oficial.
No meio disso tudo está o show do intervalo, que virou tão importante quanto a partida. Bad Bunny será a atração deste ano, com a Apple Music pagando US$ 50 milhões apenas para estampar sua marca. No Super Bowl tudo se transforma em produto.
Há ainda o capítulo das apostas. Só nos Estados Unidos, o volume pode chegar a US$ 1,76 bilhão, um crescimento de 29% em relação a 2025. É dinheiro correndo em palpite, emoção e risco, num país onde o jogo legalizado avança rapidamente.
O que esses números nos dizem? Que o Super Bowl é menos um evento esportivo e mais uma máquina cultural e econômica. Ele concentra publicidade, consumo, turismo, música e apostas em um único dia.
Para o Brasil, acostumado a finais improvisadas, estádios mal aproveitados e calendário confuso, o contraste é evidente. Não se trata de copiar os americanos, mas de entender como grandes eventos podem ser planejados, monetizados e transformados em ativo econômico.
O Super Bowl não vence só dentro de campo. Ele vence muito antes e muito depois do apito final.