Morre aos 74 anos André Geraissati, mestre do violão e referência da música instrumental brasileira

O violonista André Geraissati, um dos nomes mais marcantes da música instrumental no país, morreu nesta quarta-feira, 19, aos 74 anos, em São Paulo. A causa não foi divulgada. A confirmação veio do filho, Gabriel Geraissati, que publicou uma homenagem agradecendo o carinho do público e lembrando o pai como “um violonista único e um artista que tocou muitas vidas”.

Geraissati ficou conhecido inicialmente como integrante do Grupo D’Alma, formação que levou o violão brasileiro a festivais internacionais entre 1979 e 1985. Em 1982, lançou o primeiro disco solo, Entre Duas Palavras, com participação de Egberto Gismonti, parceria que se estendeu para as turnês Fantasia e Cidade Coração.

Em carreira solo, desenvolveu uma linguagem própria, combinando improvisação, pesquisa timbrística e sensibilidade melódica. O álbum Brazilian Images, de 1989, gravado ao lado do flautista norte-americano Paul Horn, tornou-se um de seus trabalhos mais conhecidos fora do país.

Geraissati também deixou sua marca como articulador cultural. Criou, em 1992, o selo independente Tom Brasil, que nasceu dentro do Projeto Banco do Brasil Musical, voltado à valorização da música instrumental.

A trajetória do músico incluiu apresentações em eventos como Montreux, Paris e Montreal Jazz Festival, além de parcerias com nomes como Hermeto Pascoal, Arthur Moreira Lima e Wagner Tiso.

No próximo dia 8 de dezembro, ele participaria de uma palestra no Centro Cultural São Paulo sobre produção musical, ao lado de Marco Briones, autor do livro Solo, que revisita a criação do primeiro álbum duplo de violão no Brasil, obra assinada por Geraissati.