“Não é só beleza, é inspiração”: Luanna Isabelly fala sobre Miss Universo Trans

Porto Alegre será sede do Miss Universe Trans Brasil 2025 de 24 a 26 de agosto, com a grande final marcada para o dia 27, às 19h, no Teatro da Unisinos, em Porto Alegre. Os ingressos, no valor de R$ 60, estão disponíveis exclusivamente pela plataforma Sympla. Não haverá venda no local.

Ingressos aqui – https://tinyurl.com/5awdcebv

O público acompanhará a escolha das representantes brasileiras que disputarão o Miss Universe Queen 2025, programado para 7 de dezembro, na Índia.

O Tela, Tom e Texto conversou com a gaúcha Luanna Isabelly, primeira brasileira a conquistar este título:

Luanna Isabelly

Um marco de representatividade

Luanna Isabelly fez história ao se tornar a primeira brasileira a conquistar o título de Miss Universo Trans. Sua vitória não foi apenas pessoal, mas um marco de representatividade para milhares de mulheres trans no Brasil e no mundo.

Em um país que lidera, há anos, os índices de violência contra pessoas trans, a presença de Luanna em um palco global carrega um peso simbólico: mostrar que sonhos podem ser alcançados, mesmo diante das adversidades.

Mais do que um concurso de beleza, sua conquista abriu espaço para uma discussão mais ampla sobre igualdade, visibilidade e inclusão. Hoje, Luanna usa sua voz e sua trajetória para inspirar outras meninas que sonham em representar seus estados e o país em competições de grande porte, provando que a beleza está também na força, na expressão e na luta por direitos.

Na entrevista a seguir, ela fala sobre sua experiência no Miss Universo Trans, o impacto da representatividade e o legado que deseja deixar para as próximas gerações.


  • “Foi uma honra e um grande desafio”

O que significou para você ser a primeira brasileira a conquistar o título de Miss Universo Trans e qual o impacto dessa conquista para a comunidade trans no Brasil e no mundo?

Primeiramente sou muito grata a Deus pela oportunidade que Ele me deu de seguir esse caminho, um caminho de muita luz, de prosperidade e de muitos ensinamentos. Ter sido Miss Universo Trans, para mim, foi uma honra e um grande desafio: levar a representatividade da mulher transbrasileira aos quatro cantos do mundo. Em quarenta anos de Miss Universo, eu fui a quadragésima primeira vencedora do concurso em nível global, a primeira brasileira a conquistar esse título.

A gente sabe que o Brasil, há quinze anos, lidera o ranking mundial de assassinatos de mulheres trans. Então, ter essa representatividade brasileira em nível global se torna realmente um marco na história das mulheres transbrasileiras.

Eu me sinto muito lisonjeada em saber que o caminho que eu trilhei hoje é o sonho de milhares de meninas. Representar o nosso país em um concurso tão grandioso não valoriza apenas a beleza, mas sim todo o conjunto que uma miss deve ter: a forma de se expressar, de se portar e de inspirar outras meninas a seguirem esse caminho. Assim, podemos levar visibilidade positiva para a nossa comunidade e para o mundo inteiro.”


  • O significado de inspirar outras meninas

O que significa para você ver tantas meninas sonhando em representar o Brasil em um concurso como o Miss Universo Trans?

“É muito significativo para mim ver essas meninas trilhando esse caminho, sonhando em representar o nosso país em um concurso tão grandioso, que abre tantas portas e tantas oportunidades. O Miss Universo foi um divisor de águas na minha vida, e eu tenho certeza de que, quando a gente está cuidando da beleza, também estamos cuidando da nossa pronúncia, do nosso comportamento, de como se portar em eventos e de como levar esperança a outras meninas. Isso só cresce a cada ano.

Eu me sinto muito lisonjeada e feliz por ter tido essa oportunidade e por ter representado todas as mulheres trans do Brasil em um concurso tão grandioso. A cada ano que passa, mais meninas sonham com o título de Miss Universo. É muito gratificante e tenho certeza de que o Brasil sempre terá belíssimas representantes levando o nome do nosso país com carinho e respeito ao grande slam mundial do Miss Universo Trans.”


  • “Eu me vejo em cada candidata”

Você se enxerga nas candidatas que participam hoje desses concursos?

“Sim, eu me vejo em cada candidata, no brilho do olhar delas, na perseverança, na luta de todos os dias para buscar seus sonhos, acreditando que é possível. A gente sabe que apenas uma delas será a nova Miss Brasil e que uma, no mundo inteiro, será a nova Miss Universo. Então é um trabalho árduo, mas antes de tudo existe a esperança, o acreditar que é possível.

A gente vai se moldando, aprendendo a ver o mundo com outros olhos. E isso é importante para a nossa comunidade, que ainda é tão rejeitada em diversos aspectos: a luta por igualdade, por inserção no mercado de trabalho formal, por educação. Quando a gente começa a acreditar na mudança, conseguimos nos transformar de dentro para fora.

Participar de um concurso de beleza não é apenas eleger a mais bela, mas sim valorizar um conjunto de fatores que traz visibilidade positiva para todas nós, que todos os dias lutamos pelo direito à vida e à felicidade.”


  • Quebrando paradigmas

Na sua opinião, qual é a principal diferença que o Miss Universo Trans tem proporcionado na vida das candidatas e na sociedade?

“A diferença que eu vejo é que hoje essas mulheres acreditam nos seus sonhos e percebem que existe um espaço para nós em uma sociedade que ainda nos marginaliza muito. Tenho certeza de que esse concurso só agrega, apresentando uma nova forma de ver a nossa comunidade.

Quando conseguimos transformar a vida de uma dessas meninas, já é válido todo o trabalho de um ano. O Miss Universo, a cada edição, vem acrescentando mais, se inserindo cada vez mais na sociedade, quebrando paradigmas e conceitos enraizados em nossa cultura.”


  • O maior legado

Qual é o maior legado que você acredita deixar para outras meninas e para a comunidade trans ao participar de concursos como esse?

“O maior legado que eu deixo é que vale a pena acreditar nos nossos sonhos e que, principalmente, antes de tudo, acreditem em si mesmas, porque é possível, basta acreditar. Nada é fácil, tudo na vida é difícil, independentemente de ser para a nossa comunidade ou para pessoas que não pertencem a ela. A luta para alcançar nossos objetivos é de todos e todas.

Então, acreditem, se esforcem, e eu tenho certeza de que o resultado virá. O legado é de representatividade, de força, de luta, de perseverança.”