Cláudia de Marchi
Creio que tenha sido no começo do mês que uma atriz de cuja postura nunca gostei, portanto não escreverei o seu nome, afirmou em algum lugar da internet que homens não se apaixonam, eles apenas veem um buraco e “enfiam” o seu órgão sexual. A falta de fineza e o ódio implícitos neste enunciado falam mais sobre os traumas de quem o fez do que sobre as habilidades amorosas masculinas.
Algumas pessoas envelhecem mal. Sim, eu escrevi isso, pois não pratico a hipocrisia. Neste caso, não falo apenas da aparência física, mas da perda da leveza e da afabilidade. Algumas criaturas se enrugam demais esteticamente, enquanto denotam ausência plena de sensatez verbal tal qual um incel de 13 anos. É o caso dessa mulher que se tornou uma metralhadora narrativa contra os homens, alguém que fala asneiras com o objetivo de “lacrar”, que tem míseros 48 anos e aparência de 60 com performance humana de criança de quinta série.
Ela só demonstra que não é uma adolescente raivosa, pois, em seus discursos, como este em questão, demonstra quão rancorosa é com os homens com os quais conviveu, enfim, com as escolhas amorosas que fez. Partindo de sua infelicidade amorosa fala como se todos os homens do mundo fossem idênticos entre si e, assim, conquista o aplauso de gente néscia sem bom senso e fineza, como ela mesma é.
Tal mulher, elitista, foi a favor do golpe contra a presidenta Dilma, mas existe quem tenha esquecido este horrendo fato. Eu não, eu sou memoriosa e não tenho mulher escrota de estimação apenas porque ela fala uma ou outra coisa sensata. Como diz o ditado popular, até relógio parado acerta duas vezes ao dia. Enfim, não me comovo quando pessoa de caráter duvidoso fala ou faz algo decente.
A questão cerne dessa crônica, porém, é outra: a cafonice da misandria. E, prezada leitora, prezado leitor, quem lhes escreve, em 2016, prejudicada por assédios diversos, deixou a carreira de advogada e professora universitária para se tornar cortesã, em Brasília, por estar odiando os homens. Por ter traumas causados por alguns, por não querer namorar ou se casar de novo, mas explorar o que, pensava eu, de melhor eles poderiam me dar: sexo remunerado e orgasmos.
Ocorre que a gente amadurece, a gente muda e, com sensatez e inteligência, melhoramos. Quase 10 anos se passaram e, ao contrário da pessoa em questão, bem mais velha do que eu, eu me libertei do rancor que eu nutria pelos representantes do sexo oposto. Fui misândrica sim, mas hoje isso me parece tão estúpido e desprezível que sinto vergonha, entretanto, fiz o melhor diante de quem eu era naquela fase.
Conheci homens incríveis naquele período, me encantei por alguns, me entreguei ao amor por outro. Pessoa que tem suas limitações, afinal a educação machista vitimizou muitos exemplares do sexo masculino, alguns, no entanto, tentam se libertar dela da melhor forma possível e com bela humildade. Enfim, a minha versão de 2025 empatiza com os bons homens. Pois sim, eles existem!
Eu cansei de brincar, inclusive em entrevista ao Pensando Bem, que eu fui “condenada” a ser heterossexual e que, se orientação sexual fosse opção, eu não gostaria de homens. Baboseiras ímpares! Existem homens escrotos, abusivos, bagaceiras, grosseiros, deselegantes e machistas, mas também existem mulheres más, manipuladoras, abusadoras, egoístas, castradoras e ardilosas. Mulheres não agridem aos homens fisicamente, mas são extremamente hábeis na prática do abuso emocional e psicológico.
Não acredito na superioridade de caráter das mulheres pelo simples fato de serem mulheres. Existem homens com caráter superior ao de muitas de nós. Em minha vida sofri mais por atos de mulheres mal resolvidas com sua aparência e intelecto do que com o assédio masculino. Mulheres podem ser muito cruéis com outras mulheres quando estas têm virtudes que aquelas acreditam não possuir.
Escrevi, recentemente, na crônica intitulada ‘A educação machista e o sofrimento masculino’ como o machismo pode lesionar a autoestima, o autoconceito e a vida de homens bons. Não mudei de ideia, pelo contrário, tenho ainda mais certeza disso. Assim como tenho muita certeza que separar a luta feminina por igualdade dos homens bem-intencionados é ato hostil e desnecessário.
Com bons aliados do outro lado muita coisa pode melhorar, os debates em todas as esferas podem se ampliar e os nossos objetivos podem ser atingidos com mais doçura, parcimônia e efetividade. Tratar todos os homens como misóginos e estúpidos é atitude rasa, vil, maldosa e burra. Um tiro no pé calcado em ódio imbecil.
Crer que mulheres são seres santificados e imaculados pelo simples fato de serem mulheres é estupidez. Usar a tal “sororidade” para defender toda e qualquer mulher independentemente de sua vileza e perfídia é imitar o que os machos mais baixos fazem: defender o outro sem senso crítico, apenas por ele ser um “frater”. Em suma, toda cisão de gênero, radicalmente tomada, é desnecessária e perigosa. Engloba injustiças e tacanhices diversas.
Homens se apaixonam sim, homens amam! Muitos com mais doçura e entrega do que muitas mulheres. Como já escrevi anteriormente, homens maus nos matam com mais frequência do que o oposto ocorre, homens maus nos vilipendiam, homens maus nos tratam como objetos, homens maus são narcisistas e abusam psicologicamente de nós, mas nem todo homem é mau, assim como nem toda mulher é bondosa e digna de defesa. Somos todos humanos, demasiadamente humanos. Uns dotados de mais humanidade do que outros. Estigmatizar e julgar todos de forma rasa é abjeto, injusto e estúpido. Respeitar a individualidade alheia e se permitir conhecer um pouco mais a outra pessoa antes de julgá-la é atitude que se impõe. Como o agir misógino, os atos misândricos são bregas e extremamente maléficos