Morre no Rio o gramático Evanildo Bechara, imortal da Academia Brasileira de Letras

Foto: Edison Rodrigues / Agência Senado 

Autor de “A Moderna Gramática Portuguesa”, Bechara foi referência na área de estudos da língua por mais de sete décadas

Morreu nesta quinta-feira (22), aos 97 anos, o professor, gramático e filólogo Evanildo Bechara, um dos principais nomes da linguística e da gramática no Brasil. A causa da morte foi falência múltipla dos órgãos. O falecimento foi confirmado pela Academia Brasileira de Letras (ABL), instituição da qual Bechara era membro desde 2001, ocupando a Cadeira 33, anteriormente pertencente ao crítico literário Afrânio Coutinho.

A notícia da morte ocorre no mesmo dia em que a ABL anunciou o novo ocupante da Cadeira 30, o escritor e tradutor Paulo Henriques Britto.


Trajetória e legado

Evanildo Cavalcante Bechara nasceu em Recife, em 1928, e dedicou mais de 70 anos ao ensino e à pesquisa da língua portuguesa. Foi professor titular da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), além de ter atuado em diversas instituições de ensino e pesquisa no Brasil e no exterior.

Entre suas obras mais conhecidas está a “Moderna Gramática Portuguesa”, publicada pela primeira vez em 1961 e republicada em diversas edições. Em 2025, a editora Nova Fronteira lançou uma edição comemorativa pelos 40 anos da obra, que se consolidou como referência no ensino de língua portuguesa em escolas e universidades.

Nos últimos anos, a editora também reeditou títulos importantes da sua produção, como “Lições de Português pela Análise Sintática” e “Primeiros ensaios sobre língua portuguesa”.


Contribuições acadêmicas e institucionais

Bechara foi presidente da Comissão de Lexicologia e Lexicografia da ABL, responsável pela elaboração do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) e do Dicionário da Língua Portuguesa (DLP). Com a progressiva perda de visão, afastou-se das funções executivas da comissão, mas continuava acompanhando os trabalhos e contribuindo com pareceres e orientações.

Durante sua carreira, também atuou como editor das revistas Confluência, do Liceu Literário Português, e Littera, dedicada a professores de português e literatura, publicada entre 1971 e 1976.

Descobriu ainda na adolescência a paixão pela lexeologia, área que analisa o vocabulário de uma língua em seu contexto histórico e cultural. Foi defensor do ensino técnico e crítico da língua portuguesa, tendo participado de debates públicos sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e políticas educacionais.


Reconhecimento e influência

A trajetória de Evanildo Bechara influenciou gerações de professores, estudantes e pesquisadores. Seu trabalho atravessou diferentes momentos da história da língua portuguesa no Brasil, acompanhando transformações culturais, educacionais e políticas.

A ABL deve anunciar nos próximos dias homenagens póstumas ao acadêmico.


📸 Foto: Edison Rodrigues / Agência Senado / Correio do Povo
📚 Cadeira 33 da ABL – Ocupada por Bechara desde 2001
🏛️ Instituições: UFF, Uerj, ABL, Liceu Literário Português