Opinião: o Oscar esqueceu Cacá Diegues — e cometeu um erro imperdoável

Nando Gross

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas errou feio ao ignorar Cacá Diegues no tradicional segmento “In Memoriam” do Oscar 2025. A ausência do cineasta brasileiro, um dos grandes nomes do Cinema Novo, não é apenas um descuido — é um desrespeito à história do cinema mundial.

Diegues, que faleceu em fevereiro aos 84 anos, foi um dos responsáveis por levar a identidade e a cultura brasileira para as telas com obras emblemáticas como “Xica da Silva” e “Bye Bye Brasil”. Sua filmografia transcendeu fronteiras, sendo reconhecida e premiada em festivais internacionais e, mais importante, influenciando gerações de cineastas.

O que torna essa omissão ainda mais revoltante é o fato de que seu nome constava na lista prévia divulgada pela própria Academia. Ou seja, ele foi considerado relevante o suficiente para figurar entre os homenageados, mas acabou sendo ignorado na transmissão oficial. Enquanto nomes como Gene Hackman, James Earl Jones, David Lynch e Shelley Duvall foram merecidamente lembrados, Diegues foi apagado da memória da maior premiação do cinema mundial.

Xica da Silva, com Zezé Motta, um dos maiores clássicos de Cacá Diegues.

A exclusão de Cacá Diegues reforça uma triste negligência da Academia em relação ao cinema latino-americano. Não é a primeira vez que grandes nomes do nosso cinema são relegados a segundo plano por Hollywood. Mas ignorar um cineasta que ajudou a moldar a linguagem cinematográfica do século XX é mais do que um descuido: é um reflexo do olhar míope da indústria norte-americana para além de suas próprias fronteiras.

A revolta dos brasileiros e dos cinéfilos ao redor do mundo é legítima. Cacá Diegues merecia essa homenagem. E, mesmo que a Academia tenha falhado, seu legado permanece vivo — não em uma mera montagem de tributo no Oscar, mas na força de suas obras, que continuam a emocionar e inspirar espectadores em todos os cantos do mundo.

–